30 de nov de 2007

Primeiro desafio Vestígios da Senhorita B.


Do regulamento:

1- De hoje(30/11/07) a partir das 18:00 horas até às 24:00 horas de domingo(02/12/07) desafio vocês a terem um final de semana feliz. Ou seja: nada de melancolia, baixo astral ou coisa do tipo. Sim, eu sei que ficar bem aos domingos é bem difícil. Mas vale a pena tentarmos. Pelo menos, descobriremos se é verdade que a felicidade é fruto de nosso condicionamento mental.

2- Os leitores que escreverem até às 24:00 horas da próxima terça-feira (04/12/07) comentando a experiência ganharão um livro de presente. É importante frisar que não importa se vocês chegaram ao objetivo ou não. Quero apenas saber se realmente se comprometeram com o desafio.

3- Para os leitores deste blog que já têm os meus livros, disponho de exemplares da antologia Outras moradas e de trabalhos de outros autores baianos.

4- Os livros serão enviados pelo correio. Mandem em um comentário avulso seus endereços e a opção pelo livro. (Tal informação não será publicada).

5- Para os que usam pseudônimo, podemos pensar numa outra alternativa.

6- Promoção válida também para escritores.
Boa sorte para todos!

29 de nov de 2007

Convite: Fulana Opereta


F u l a n a o p e r e t a

Recital de poemas de Fabrícia Miranda,

Participação de:
Gabriela Carvalho, Inaê Sodré, Lita Passos e Renata Belmonte

Escola de Belas Artes, 18 horas




27 de nov de 2007

Dans Paris



Por que até sofrer em francês é mais charmoso?

22 de nov de 2007

A musa do banheiro


Aquele era um lugar apertado. Todos os papéis já haviam sido preenchidos. E eu comecei a estudar naquela escola quando já era tarde demais. Hoje, vejo: muito pouco havia sobrado para mim.

Bianca era a melhor aluna da classe, lembro-me perfeitamente que os professores a elogiavam em voz alta durante as aulas. Maria Carolina era a mais bonita de todas e vivia rodeada de outras garotas também muito bonitas. Estar entre elas era o mesmo que se dar bem com os melhores "partidos" daquele tempo. Fernanda tinha quinze anos, mas já dirigia um conversível verde. Era quase um passatempo vê-la chegar ao colégio naquele super carro. Era super inspirador pensar em como era a sua super vida. Cláudia já cantava muito bem e costumava ser sempre o centro das atenções. As "meninas perdidas" tinham todas um comportamento arredio e se reuniam para fumar juntas na hora do intervalo. Os alunos que vinham do interior passavam o recreio no interior: no interior da sala de aula. Naquele colégio, todos sabiam a parte que lhe cabia.

Eu era estudiosa, mas jamais fui a número um. Aos quinze anos, magra e cheia de espinhas, não havia nenhum sinal em mim que indicasse que eu poderia ser aprovada no vestibular das garotas bonitas. Um conversível? Bom, eu tinha. Um rosa, muito lindo que ganhei de Papai Noel: o conversível da Barbie. Querem que eu cante para vocês? Não, já parei, por favor, terminem de ler este meu post. Nunca fui fã de cigarros e sabia a surra que eu iria tomar caso chegasse fedendo a tabaco em casa. Nasci em Salvador e na época pensava que isto significava não ser do interior. Ou seja: será que existia algum lugar para mim?

Sim, naturalmente: o banheiro. O banheiro do colégio. Era neste espaço que eu conseguia ficar só, me esconder do olhar do outro. É óbvio que as pastilhas brancas deixavam o ambiente um pouco inóspito. Mas nada comparado aos meus colegas de classe e suas existências estáticas. Foi no sanitário da minha escola que derramei as lágrimas pelo fim do meu primeiro namoro, foi lá que constatei que as pessoas não são como a gente gostaria... Dentro dele, devo também ter representado diante de mim mesma os papéis que cabiam aos outros. É certo que os espelhos daquele lugar devem ainda guardar a imagem da Renata adolescente. Musa que é musa jamais se esquece, né? Hoje, fiquei com saudade de mim e tive uma idéia: na próxima semana, farei uma visita demorada ao banheiro do colégio que eu estudei. Talvez eu descubra que ele ainda seja o único lugar que me cabe neste mundo.

20 de nov de 2007

Pequena certeza de terça:


Eu confio no desconhecido.
Foto: Ricardo Belmonte

18 de nov de 2007

Ameaça

Se nada de relevante começar a acontecer, juro que faço como a Senhorita B: coloco uma mochila nas costas, arrumo a mala e fujo. É certo que, em algum lugar, o trem da minha vida irá passar.

11 de nov de 2007

Raras felicidades dominicais

Viver tem sido uma grande aventura... Não é que acabei de encontrar na porta de uma pizzaria o garotinho do post Uma criança e eu? Após reconhecê-lo, lhe disse: escrevi sobre você no meu blog. No ato, ele me respondeu: e eu, como você, também comecei a fazer um livro.

As mulheres da minha vida









Quando criança, me perguntavam com insistência o que eu queria ser quando crescer. Hoje em dia, a pergunta mudou de palavras: O que você pretende fazer da sua vida? Bom, eu não tenho ainda uma resposta precisa para tal questionamento. Como explicar que possuo muitos sonhos e que são múltiplos e variados os planos que traço diariamente para mim?

Muitas são as nossas possibilidades de existência: acredito piamente nisso, desde a adolescência, quando mudava semanalmente a cor dos meus cabelos. Deste tempo, pouca coisa restou: foi embora meu macacão preto folgado, os cabelos cresceram, algumas posturas diante do humano se modificaram... Mas uma coisa permanece intacta e se reflete em quase tudo que escrevo: ainda nutro enorme admiração pelo sexo feminino.

Costumam dizer que mulheres não conseguem se relacionar bem entre si, que nossas relações são baseadas em inveja... Pura besteira. Se algum dia me perguntarem quem eu quero ser quando crescer, não terei dúvidas: citarei um por um os nomes das mulheres da minha vida.

Nas fotos: Eva, Renata e Jorge (que apesar de não ser mulher, merece estar neste post); Madonna; Erica e Joana; Clarice Lispector. Faltaram fotografias de: minha mãe, minha avô, minhas tias e primas, Lígia e Vanessa, dentre outras.

7 de nov de 2007

Das cenas insólitas da minha vida: parte 01

Na noite de ontem, fui à uma festa na galeria Paulo Darzé. E, quando estava deixando o local, fui abordada bruscamente por um mendigo esquálido, com cara de drogado. Senti um frio tomar conta de mim, já era madrugada, a rua estava bem escura... Pensei: Ops! Desta vez, me dei mal. Mas, de repente, uma voz rompeu o silêncio torturante:
- Noooossaaaaaaa! Que vestido lindo! Fashion! É por isso que gosto de pedir dinheiro aqui na Vitória: só vejo gente chiqueeee!
- Sai daqui, sua bicha, pare de incomodar as pessoas!- falou o segurança do lugar que acabou aparecendo para me "socorrer".
Minutos depois, passado o susto inicial, eu só fazia rir. E na hora de dormir, acabei constatando: eu quase agi como Tatiana, a personagem "ordinária" do meu conto Sandálias vermelhas. Paguei bonitinho a língua. Depois ainda me perguntam porque me tornei escritora...

4 de nov de 2007

Crime e castigo

Na faculdade de direito, um professor constantemente me dizia que eu seria uma grande promotora, pois eu tinha enorme talento para o crime. Nunca dei ouvidos às suas pregações, pois jamais me senti tentada a trabalhar com gente inescrupulosa. Mas, hoje, reconheço sem modéstia que ele tinha, de certa forma, alguma razão.
Quando comecei a estagiar naquele escritório, eu era uma garota cheia de sonhos. Pensava ainda que todas as pessoas mereciam uma segunda chance, acreditava que aqueles que cometiam delitos tinham seus motivos. Isso até começar a conviver com minha chefe.
Com o argumento de me "educar" para o mundo, ela me fazia passar por humilhações das mais diversas. Certa vez, me prendeu gratuitamente no escritório até tarde só para eu perder uma prova importante. Houve um dia, em que ela liberou todas as outras estagiárias para poderem ir ao salão de beleza(era o casamento de uma das sócias daquele lugar), menos eu. Sua desculpa? Você tem o cabelo liso, não precisa se arrumar.
Eu jamais lhe disse nada, nunca reclamei de sua postura. Minhas amigas e meu namorado ficavam horrorizados, me perguntavam como eu suportava passar por tudo isso. Eu sempre lhes respondi : eu só faço o que quero, não sou vítima de nada, portanto não se preocupem comigo.
Não, não se preocupem comigo. Deixei aquele lugar para ir estagiar em outro muito melhor. E daquela minha chefe, restou uma lembrança: ela bêbada na tal festa de casamento, dançando sozinha num canto, usando um vestido horroroso...
Recentemente, soube que ela adora falar sobre a minha passagem no escritório, que costuma pregar, no quadro de avisos, algumas das minhas fotos que saíram no jornal. Foi aí que compreendi o que meu professor da faculdade queria dizer: eu sou dura na queda, a pessoa perfeita para fazer os outros pagarem no final por seus crimes. E, para esta minha chefe, tenho certeza: meu silêncio sempre foi a maior das suas penas. Conviver com fato de que jamais conseguiu prejudicar minha vida é o preço que ela terá eternamente que pagar.

3 de nov de 2007

Síndrome Carrie Bradshaw



Recentemente, no lançamento de um livro, encontrei com a Anna e com a Mônica Menezes. Conversamos bastante, foi muito bacana. Nosso assunto principal? Não, nada de Clarice ou Hilda. Falamos sobre calçados. Isso mesmo: sandálias e sapatos.
É certo que nós, mulheres, amamos tal tema. A queridíssima Mônica me disse que uma das primeiras coisas que ela olha numa outra mulher é o sapato que esta está usando. Achei isso bem curioso, pois percebi que também ajo assim. E acabei me lembrando de meu irmão, que nada entende de moda, mas que sempre me diz que eu deveria usar mais sandálias rasteiras (e condena com vigor qualquer espécie de bota).
Ora, mas não é que descobri, nesta semana, que um dos meus artistas favoritos também tem um fetish por sapatos? Não, Carrie, desta vez não me refiro à você. Falo do David Lynch. Que fotografou os sapatos do Louboutin e está expondo o resultado disso tudo na
Galerie du Passage, em Paris. Eu vi algumas das fotos e achei incríveis. Bem a estética do mestre!
No mais, desejo para vocês um sábado bem no clima deste post: repleto de glamour!


PS: As fotos acima são de autoria do Sr. Lynch.