26 de ago de 2009

Nilson e Maria

Para abrir setembro com flores

23 de ago de 2009

À Deriva

E este foi um dos grandes filmes que já vi.

19 de ago de 2009

Lançamento de Tati


17 de ago de 2009

Eu, que já estou tão distante...


Sempre aos domingos, naquele final melancólico da noite, tenho uma mesma vontade: deletar meu blog, tirar minhas fotografias dos porta-retratos, pintar meu cabelo, inventar um novo nome e sair por aí contando histórias que jamais aconteceram, histórias de um tempo impossível e misericordioso.

Renata Belmonte só restaria nas capas dos livros. E, não, ninguém duvidaria do que digo. No lugar onde moro, não sou conhecida e sei inventar mentiras legais, entretenho pessoas com certa facilidade, sempre fui assim.

Mas por que não faço tudo isso que planejo, por que, por quê? Toda segunda, a mesma pergunta: acordar não é um suplício? Tenho medo das vinhetas da MTV, melhor ir para a cama, perdi certas liberdades, já não tenho a desculpa de que estou "deprimida numa noite de domingo". Só que há canalhice maior do que fingir querer contar uma coisa e, logo depois, fazer cara de mistério e colocar um "to be continued" num fundo preto, com letras brancas? Não, isto aqui não é literatura, seriado ou cinema. Além disso, tenho preguiça de gente que tira foto de biquini e fala sobre passeios de lancha para parecer feliz. Pouco vou à praia e não tenho Orkut ou Facebook. E a verdade é que, nesses lugares, quase ninguém assume o que irei revelar: de vez em quando, eu encho o saco de mim.

Alguém muito chato ou resignado irá retrucar: sua vida é ótima! Se eu fosse blasé, passaria a mão nos meus cabelos loiros, faria uma cara nojenta e responderia: E o que você tem com isso? Mas, não, sou sincera e apenas confirmo: é verdade, minha vida é ótima. Mesmo assim, de vez em quando, encho o saco de mim.

Eu poderia citar milhões de motivos vazios para isso. Mas seria subestimar a inteligência de vocês. Conheço uma pessoa que terminou um relacionamento porque a companheira dirigia mal. Sério? Sou boa em inventar mentiras, mas isto é a pura verdade. E por que não pinto(de novo) o cabelo, deleto o blog e mudo de identidade? Eu até posso encher o saco de mim, mas não quero que isso aconteça com vocês. Imagina! Quero ser convidada para os encontros dos e-amigos, quero participar dos eventos, colocar aqui no blog as fotinhas... Eu não tenho Orkut ou Facebook, mas gosto dos comentários que recebo, adoro até mesmo os fantasmas que vagam mudos por essa casa.

Eu, que já estou tão distante de tudo e todos que amo, não quero ser esquecida por vocês. Não há medo mais legítimo que esse, não para um escritor. Sim, isto é uma confissão, mas eu também sou feliz sozinha. E, por favor, não levem ao pé da letra tudo o que aqui está escrito, tem dias que gosto apenas de inventar umas coisas para entreter, acho isso legal. Amanhã, quem sabe, tomo coragem e compro um vestido vintage. Helena não é um bom nome?
Simples. Simples assim.

14 de ago de 2009

Minha vida sem mim


Para as netas pequenas, a avó conta a história da personagem de Joan Crawford, no filme Almas em Suplício. Segundos depois, a mãe das crianças chega e não gosta de presenciar tal situação. Já apenas na companhia das filhas, ela fala algo assim:

- Não se impressionem com o que a vovó contou. Ela precisa dessas histórias, nenhum dos seus sonhos se realizou, ela não fez nada do que quis.

A cena acima narrada pertence ao filme Minha vida sem mim. E, apesar de breve, eu jamais a tirei da cabeça, foi a coisa mais triste que já vi. A morte é uma certeza para todos. Mas não realizar seus sonhos e viver o enredo dos outros significa estar morto em vida. É quase como tomar o título deste filme para si.
Ps: A atriz que representa a tal avó é Debbie Harry, vocalista do Blondie. Mais irônico, impossível.

11 de ago de 2009

Estas minhas listras


Então, mais uma vez, aquela dor. E alguém lhe diz: não há o que se fazer. O tigre não perde suas listras. Eu sei, quase revelo: isso é Freud e Lost. Logo depois, reitero: sim, o tigre não perde suas listras e não tenho como evitar esta dor, ela é quase como um membro do meu corpo. E alguém lhe pergunta: Por isso tantos vestidos?
Tenho um corpo machucado, ferido. Tenho um corpo rejeitado. Existem tecidos de várias cores e texturas. Eles maquiam este corpo, o tornam bonito. Eles escondem de mim mesma as minhas listras. Sinto-me nua sem esta dor, sempre espero por ela. Isto não é Lost ou Freud. Foi o que a vida me ensinou.

9 de ago de 2009

O fantástico mundo de meu pai



Se meu pai fosse escritor, certamente, seus livros seriam da escola do realismo mágico. Sim, porque, no seu mundo, coisas muito estranhas e absurdas acontecem de maneira natural e cotidiana. Para exemplificar o que estou dizendo, falarei de três pessoas que jamais conheci, mas que viraram personagens da minha vida de tanto meu pai contar suas histórias. Segue o perfil delas:
Primo Nino: Filho do irmão de meu avô paterno, morou na Itália por toda a vida. Meu pai conta que, desde muito cedo, ele gostava de ficar se admirando no espelho. Com o passar dos anos, o hábito virou mania. Primo Nino já não mais trabalhava ou comia, ficava todo o tempo se penteando e dizendo para a sua imagem refletida: Sou lindo! Sou lindo! Por fim, foi internado num hospício.
Dona Bernadete: Secretária de meu avô. Era uma mulher ativa, bem disposta. Certo dia, faltou o trabalho e nada avisou. Preocupado, meu avô foi procurá-la e a encontrou perambulando de biquini pela casa. Depois deste episódio, ela jamais tirou tal traje. Morreu com setenta e poucos anos. Não, não foi enterrada de biquini.
Tio Joseph: Irmão de meu avô. Nasceu na Itália, mas, ainda na adolescência, se mudou para os Eua. Era mafioso, amigo íntimo de Al Capone. Mandava dar surras naqueles que não o obedeciam, era uma homem temido. No entanto, na intimidade, se comportava de maneira muito diferente. Chorava, copiosamente, quando assistia filmes românticos ou quando falava da Itália. Quando brigava com a mulher, quebrava garrafas na mesa. E, segundos depois, negava o que tinha feito e se jogava no chão, implorando seu perdão.
Recentemente, encontrei a fotografia acima, num post do blog do Sandro. E, imediatamente, me lembrei de meu pai. Quando tomou conhecimento do meu desejo de ser escritora, ele disse: Só me faça o favor de não abandonar o Direito. Você não vai ganhar um conto com essa conversa de Kafka. No mesmo post do Sandro, Gustavo Rios comentou sobre a fotografia: nosso futuro, se continuarmos a dar muita atenção ao Nietzsche.
É, meu pai... Se você fosse escritor, seu livro pertenceria ao realismo mágico. Mas não é que, no seu enredo sobre a condição financeira do escritor, você é quase um Machado de Assis?

Foto: Homeless man reading books, Moshe Shai, 1977.

6 de ago de 2009

Nhô Guimarães



Em 2008, ano em que se comemorou o centenário do escritor mineiro, João Guimarães Rosa, o Núcleo Criaturas Cênicas de Salvador/BA, realizou aadaptação do romance Nhô Guimarães (2006) para a linguagem teatral, do escritor baiano Aleilton Fonseca, escrito para homenagear os 50 anos do livro Grande Sertão: Veredas (1956) de João Guimarães Rosa. A adaptação para o teatro foi realizada por Deusi Magalhães e Edinilson Motta Pará, atriz e diretor desta montagem que teve sua pré-estréia no teatro do IRDEB em 27 de novembro de 2008. O projeto* Nhô Guimarães* *Pelo Sertão* do Núcleo Criaturas Cênicas foi um dos vencedores do Programa BNB de Cultura/2009. Esta é a 6ª montagem deste grupo premiado em encenações como “Escoria” de Michel de Ghelderode e “A Pedra do Meio Dia ou Artur e Isadora” de Bráulio Tavares. Cumprindo a agenda deste projeto a peça *Nhô Guimarães* teve sua estréia no sertão baiano percorrendo com suas apresentações, em maio de 2009, nas cidades de Senhor do Bonfim, Uauá, Canudos e participando da abertura do I Colóquio em Estudos Literários e Lingüísticos – UNEB - Campus XXII, em Euclides da Cunha. A peça segue agora para temporada de dois meses no Teatro do SESI – Rio Vermelho. O espetáculo, em forma de monólogo, transpõe para o palco a vida, as idéias e a mítica do nosso sertão, privilegiando a linguagem falada rica em neologismos, recheadas de palavras incomuns próprias dessas regiões e tão presente nas obras do autor mineiro. Esse tratamento é mantido na encenação como forma de valorização da diversidade lingüística, existente na língua portuguesa, especialmente a encontrada no sertão brasileiro. Essa visão é apresentada através dos causos contados por uma senhora octogenária a um visitante. Entre uma estória e outra, a velha cita a presença de um amigo do falecido marido, Nhô Guimarães, senhor de jeitos elegantes, que sempre os visitava, com "seu ouvido bom de ouvir causos eseus óculos pretos de aros redondos". Uma referência direta ao escrito rmineiro João Guimarães Rosa. Enquanto relata suas lembranças, a velha desenvolve ações cotidianas, como coar um café, apertar um fumo de rolo, fazer um pirão, dar comida às galinhas etc., busca-se criar uma transposição de quem assiste para o ambiente do cotidiano interiorano.

*Salvador*

*Local:* Teatro SESI Rio Vermelho

*Apresentações*: de 08 de agosto a 27 de setembro/2009

*Sábados e domingos*, 20 horas.

*Ingressos*: R$14,00 inteira e R$ 7,00 meia entrada**

*Mais informações:*

*Deusi Magalhães* (071) 9137-4567 e 3011-1437 <magadeusi@gmail.com>

*Edinilson** Motta Pará* (071) 8754-2769 nilsinho67@hotmail.com

*Fotos*: Maurício Requião

4 de ago de 2009

I Encontro Literário da UEFS


Há algo melhor do que falar sobre literatura? Sim, há. O que? A possibilidade de falar sobre literatura para um monte de gente bacana, ao lado de outros escritores tão bacanas quanto.
Sempre é um prazer rever meus pares e amigos queridos. No I Encontro Literário da UEFS, isso aconteceu e transformou um dia comum num momento muito especial. Extremamente gentis e afetivos, os organizadores do evento mostraram que é possível divulgar a literatura baiana de forma interessante e articulada. Me sinto quase "habitué" da UEFS e sempre fico surpresa e feliz com o carinho que recebo dos alunos da instituição. Portanto, só me resta agradecer tudo isso e ressaltar que meus leitores são personagens deste que considero o meu conto maior: a vida. Podem ter certeza: sem vocês, meus livros e este blog não teriam o mesmo brilho.
Quando eu era adolescente, sempre reclamava do fato de não conhecer os escritores da Bahia. Certo dia, estava no ICBA e sentei para escutar um "tal poeta" falar sobre tempo e memória. O "tal poeta" era o grande Ruy Espinheira Filho e, até hoje, recordo-me com encantamento de sua linda fala. Escrevo isso porque desejo que este encontro seja lembrado por vocês da mesma maneira: como algo merecedor da eternidade do encantamento.
Se o livro do Vestígios é o retrato que não tiraram de mim, quero que este post do blog Vestígios seja uma bela fotografia de todos nós. Nós que, reunidos e contentes, dividimos um dia especial.

Liga dos E-amigos



Os que não puderam comparecer foram lembrados. (viu, primo Bernardo?)
E, apesar de não aparecer na foto, até a nossa querida
Aeronauta estava lá.