30 de ago de 2007

Queridos,

Eu e a Senhorita B. tiramos umas férias. Mas voltaremos no dia 06 de setembro.
Beijos para todos,
Renata

26 de ago de 2007

Para Ricardo...



"Daquilo que sabes conhecer e medir, é preciso que te despeças, pelo menos por um tempo. Somente depois de teres deixado a cidade, verás a que altura suas torres se elevam acima das casas."
Friedrich Nietzsche

Sua frase favorita. Porque estou morrendo de saudades!



24 de ago de 2007

Outras belezas


"O escritor e seus múltiplos vem vos dizer adeus. Tentou na palavra o extremo-tudo. E esboçou-se santo, prostituto e corifeu. A infância foi velada: obscura na teia da poesia e da loucura. A juventude apenas uma lauda de lascívia, de frêmito Tempo-Nada na página. Depois, transgressor metalescente de percursos. Colou-se à compaixão, abismos e à sua própria sombra. Poupem-no o desperdício de explicar o ato de brincar. A dádiva de antes (a obra) excedeu-se no luxo. O Caderno Rosa é apenas resíduo de um "Potlatch". E hoje, repetindo Bataille: Sinto-me livre para fracassar."
Hilda Hilst
Eu também, Hilda.

22 de ago de 2007

Sobre ser muito bonita...

Acabei de assistir ao programa do Jô. E estou tão, tão contente, que resolvi dividir essa minha pequena felicidade clandestina. A entrevista com dona Vanda, mulher simples da cidade de Paudalho-Pe, fez renascer em mim sentimentos que eu julgava já perdidos. Há muito não "conheço" uma pessoa com tanta dignidade. Cheguei até a ter vontade de chorar. Talvez porque eu andasse achando que não havia mais esperança para esse mundo. Talvez porque eu tenha voltado a descobrir o grande leimotiv da minha vida: gente. Sim, eu amo gente.
Um dia, eu espero ter a beleza da dona Vanda. Pois a dela é muito especial, é como o vento: a gente não vê, mas sabe que existe. Porque sente.

20 de ago de 2007

Queridos,



Repitam comigo: dia 22 de agosto das 15:oo às 17:oo horas no Labimagem. Com Renata Belmonte, Mayrant Gallo e Simone Guerreiro. Vão lá nos assistir, garanto que valerá a pena. Caso contrário, podem falar mal do meu cabelo novo.:)

17 de ago de 2007

Lost in translation



" - I just don't know what I'm supposed to be. You know? I tried being a writer, but... I hate what I write. And I tried taking pictures, but they're so mediocre, you know. Every girl goes through a photography phase. You know, like horses? You know? Take, uh, dumb pictures of your feet.

- You'll figure that out. I'm not worried about you. Keep writing.

- But I'm so mean.-

- Mean's okay."


(Diálogo travado entre Bob e Charlotte numa das cenas do filme)

Desde que assisti Encontros e Desencontros, não fui mais a mesma. Talvez porque ele tenha me feito compreender que outras pessoas carregam a mesma sensação de deslocamento que eu. Talvez porque me senti muito invadida: com que direito alguém produz um filme sobre minha vida sem me avisar? Outro dia, li no blog da Aeronauta um post sobre retratos. Se me dissessem que sou a garota da fotografia acima, jamais duvidaria. Eu me reconheço neste retrato que não é meu. Se me dissessem que as palavras do diálogo transcrito saíram da minha boca, acreditaria sem pestanejar. Não, não vou traduzí-las. Pelo mesmo motivo que deixei em inglês a epígrafe de O que não pode ser. Todos nós apenas queremos ser encontrados porque estamos perdidos. Mesmo que seja apenas numa simples tradução.

16 de ago de 2007

14 de ago de 2007

Um post interativo


Nos últimos tempos, tenho percebido que muitas pessoas têm vergonha de admitir que não leram todos os grandes autores do mundo. Como se isso fosse uma falha de caráter ou mesmo um atestado de inferioridade social. No orkut, nas reuniões "literárias" e até mesmo em almoços familiares, virou moda citar escritores clássicos de forma prepotente e vazia, quase ridícula. Sempre que me deparo com este tipo de comportamento, constato: está tudo muito estranho.
Graças a Deus, ainda não li todos os melhores livros do mundo! Que prazer teria eu de viver sabendo que não há nada de novo para ser descoberto?
Sim, eu já tive algumas vezes comportamentos tolos. Mas não, vaidade definitivamente não é um dos meus pecados mais graves. Portanto, em protesto a esse tipo de postura infantil, publico aqui uma listinha com nomes de grandes escritores que ainda não li:
  1. Gabriel Garcia Marquez
  2. Marcel Proust
  3. Liev Tolstói
  4. Antonio Lobo Antunes
  5. Nélida Piñon

E vocês? Esqueceram do título do post? Façam o favor de confessar! Espero as listas nos comentário! Prometo que não vou ficar de bochechas coradas!(rs)

12 de ago de 2007

Tudo sobre meu pai

Certa vez, ainda na infância, minha melhor amiga me perguntou:
- Quem é o homem que você acha mais bonito no mundo?
Sem a menor dúvida, respondi:
- Meu pai.

Foi com meu pai que aprendi a importância de ser sensível às demandas dos outros. Foi vendo meu pai construir casas para seus empregados que compreendi que, enquanto ele faz isso, o universo lhe conspira castelos. Extremamente emotivo, vejo-o resolvendo todos os problemas do mundo na mesa do seu escritório. E até com suas charmosas incoerências, já me acostumei: ainda ontem, apesar de ele reclamar do tempo que gasto com meus escritos, me presenteou com um belo caderno de couro.
Todas as manhãs, quando meu pai sai para trabalhar, acho-o tão elegante que escuto Frank Sinatra cantar. E sempre desconfio: dentro de seus ternos bem-cortados deve estar escondida uma roupa azul. Com uma capa e um S em vermelho no peito.

11 de ago de 2007

Dos começos perdidos

"Todo amor tem seu instante inaugural, seu big bang particular, que é, por definição, um começo perdido, do qual os amantes, por mais perspicazes que sejam, nunca são contemporâneos. Não há amante que não seja, na verdade, o herdeiro tardio de um instante de amor que nunca verá, capturado que ficou, e para sempre, no breu de sua aparição"

Trecho de O Passado, romance do escritor Alan Pauls. O grande responsável por este blog ter se tornado passado nestes últimos esses dias...

7 de ago de 2007

Quando o circo se foi...



" Quando criança, achava que sendo boa, apenas coisas boas lhe aconteceriam."

(Frase do meu conto Quando o circo se foi. Lógica do meu livro O que não pode ser. E de toda a minha vida.)

3 de ago de 2007

Da primeira vez que vi a Senhorita B.

Ele se sentará na cabeceira da mesa e terá perto de si as suas cinco mulheres. Todas elas estarão muito contentes e baterão palmas ao mesmo tempo. Seus nomes são parecidos, suas iniciais se confundem. Apenas uma não é loura e não tem os olhos claros. Mas isto jamais fez com que se sentisse deslocada ou qualquer coisa do tipo. Suas roupas não negam: é presença indispensável na fotografia que será tirada em poucos minutos.

Eu estarei em pé e relembrarei com saudade alguns episódios daquela casa. As brincadeiras com a boneca de cabelos verdes e as intermináveis provas de vestidos me asseguram: sou uma delas. Perceberei os gestos exagerados da mais nova e escutarei os casos da única que mora fora. Darei risada das maluquices de minha madrinha. Comprovarei, mais uma vez: não foi à toa que nasci numa família de mulheres.

Hoje, nos noventa anos do meu vô Wilson, comungarei da felicidade de minha mãe e minhas tias. Sou Renata, filha de Rivane, a morena. Mas sou loura e parecida com Riane, Rejane e Rosane, minhas tias. Hoje, nos noventa anos de meu avô, haverá um momento em que procurarei os olhos verdes de minha vó, Rosalva. Porque foi neles que vi, pela primeira vez, a Senhorita B. Porque foi neles que entendi, pela primeira vez, o significado do verbo sonhar.

2 de ago de 2007

O tempo de cada um


Botei na cabeça: a festa do mundo acontece enquanto estou dormindo. Há quase três dias passo as madrugadas insone, esperando por meu convite. Ontem, cansada de tudo, resolvi visitar uma astróloga. Sem pestanejar, ela me assegurou que terei grandes surpresas. Os astros não mentem, você é uma estrela, nasceu para brilhar. Sim, desde que ouvi tais palavras, tenho tido muito mais cuidado ao atravessar as ruas. Ando numa fase meio Macabéa, sabe?