17 de mai de 2008


Milagres acontecem em silêncio. Um tempo. Provavelmente, até julho. Será bom para mim.

16 de mai de 2008

Alone



Há dias que penso em fugir para o Japão.

12 de mai de 2008

Ponto smoking


Eu ainda era pequena, mas lembro-me bem: seus vestidos, quase sempre comuns, ganhavam força e beleza quando colocados em seu corpo. Como mágica, tornavam-se outros, despertavam de um sono profundo para cumprir seu destino. Existem pessoas que são assim: elegantes sem qualquer esforço. Eu, exagerada nos gestos e emoções, jamais tive tal qualidade. Restou para mim o consolo destes olhos verdes de segunda mão. Ela não fala muito, mas sempre tem as unhas feitas. Mesmo desarrumada, permanece esteticamente interessante. Tem humor nas horas apropriadas, é firme e amorosa no momento em que deve ser. Não costuma gritar, prescinde deste tipo de comportamento mundano. Temo ver qualquer reprovação no seu olhar. Daquele tempo, das intermináveis provas de roupas na casa das cinco mulheres, pouco mudou. Todas continuam legando às filhas o encanto com os tecidos, a atmosfera fantástica das roupas de baile no espelho do quarto de casal. Ainda gosto pouco das coisas que tenho, não raro, busco no seu armário algum remédio para minha insatisfação. Mônica Menezes me alertou: a escrita também é um cuidar de si. Enquanto faço textos, minha mãe experimenta roupas no quarto ao lado. Muitas vezes, quando penso que ninguém me amará tanto quanto ela, me desespero. E sinto vontade de ter uma filha. Para eu não ficar só no mundo. Para me trazer poesia. Para eu alinhavar seu crescimento através de vestidos de ponto smoking.

9 de mai de 2008

Do nome perdido de cada um


Há quem afirme que a Senhorita B. fugiu por temer deixar de ser quem é. E que jamais aceitou se tornar Senhora, pois sempre teve certeza que o nome é a única constante dessa vida feita de desencontros. Já ouvi também dizer que a Senhorita B. desapareceu no dia do seu casamento e que um par do seu sapato foi encontrado na escadaria de uma igreja antiga. Confesso não acreditar muito nessa versão, ela nos abandonou usando um vestido preto e sei que nunca se casaria com tal modelito. De todas as especulações existentes, penso que apenas uma é correta. Não, não fugiu a Senhorita B. para lugar algum. Porque seu problema não era com o espaço e sim com o tempo. De quases vive a ficção. No futuro do pretérito, vagaria com os anjos pelas páginas de um livro.

7 de mai de 2008

Esta minha horinha de descuido


"... dizia que o certo era a gente estar sempre brabo de alegre, alegre por dentro, mesmo com tudo de ruim que acontecesse, alegre nas profundezas. Podia? Alegre era a gente viver devagarinho, miudinho, não se importando demais com coisa nenhuma. Felicidade se acha é só em horinhas de descuido".

Guimarães Rosa

Gravura: La Lecture Hand de Renoir, o motivo da minha horinha de descuido. Encontrei essa reprodução no Google e, de repente, estava novamente no meu quarto de criança. Quando pequena, achava que eu era a garota loura do quadro e que ele tinha sido pintado especialmente para mim. Hoje, percebi que, daquele tempo, apenas me sobrou uma certeza: desde cedo, a literatura já estava presente na minha vida.

4 de mai de 2008

Dica

Lucas Faillace é um garoto de vinte poucos anos e um dos fotógrafos mais brilhantes que conheci. As fotografias que vocês vêem nos slides (salvo a primeira) são do curta Vestígios da Senhorita B. e foram todas feitas por ele. Quem quiser conhecer seu trabalho deve acessar o site http://www.lucasfaillace.com/ ou o blog http://lucasfaillace.blogspot.com/.

3 de mai de 2008

Sobre ostras e coelhos...


"Eu não acredito em felicidade. Apenas os imbecis, as ostras e os coelhos podem ser felizes. E ainda assim se não tiver um cozinheiro por perto..."

Fala do Luc Ferry no evento Braskem Fronteiras do Pensamento.

1 de mai de 2008

Só se vê na Bahia?

Semana passada, li no jornal A Tarde a notícia de que no Vila Velha iria se realizar um curso gratuito para roteristas. Estavam sendo oferecidas 20 (vinte) vagas e era necessário levar uma fotografia 3x4 e o RG. Pois bem, no primeiro dia das inscrições, fui lá para realizar a minha. E, logo depois que preenchi a ficha, a simpática atendente me advertiu: é pouco provável que você seja selecionada. Eu, meio confusa, perguntei o motivo de sua afirmação. Eis que ela me respondeu: será dada preferência aos afrodescentes e aos alunos oriundos de escolas públicas. Eu não concordo muito com isso, mas você apenas será selecionada se não se inscreverem vinte pessoas com tais características.
Cotas para as universidades eu posso até compreender, apesar de não concordar com o percentual aqui adotado. Mas preferência para afrodescentes num curso de roteiro? Sim, só se vê na Bahia.