1 de mai de 2008

Só se vê na Bahia?

Semana passada, li no jornal A Tarde a notícia de que no Vila Velha iria se realizar um curso gratuito para roteristas. Estavam sendo oferecidas 20 (vinte) vagas e era necessário levar uma fotografia 3x4 e o RG. Pois bem, no primeiro dia das inscrições, fui lá para realizar a minha. E, logo depois que preenchi a ficha, a simpática atendente me advertiu: é pouco provável que você seja selecionada. Eu, meio confusa, perguntei o motivo de sua afirmação. Eis que ela me respondeu: será dada preferência aos afrodescentes e aos alunos oriundos de escolas públicas. Eu não concordo muito com isso, mas você apenas será selecionada se não se inscreverem vinte pessoas com tais características.
Cotas para as universidades eu posso até compreender, apesar de não concordar com o percentual aqui adotado. Mas preferência para afrodescentes num curso de roteiro? Sim, só se vê na Bahia.

8 comentários:

gláucia lemos disse...

Essa coisa de negritude já está passando dos limites, está tomando a conotação de preconceito. Quando se estabelece uma separação, estabeleceu o preconceito," este é afro tem direito,aquele não é,não o tem". Corresponde àquele:"você é branco, pode, não é branco não pode". Vem a ser a mesma coisa. Não é por aí que se soluciona a questão, e sim pegando na base, na recuperação do ensino público, no qual o contingente afro é mais expressivo, aí é que está o cancro.Será que ninguém enxerga?

Anônimo disse...

Estamos feitos.

M. Gallo disse...

O escritor e jornalista Elieser Cesar disse tudo na última estrofe de seu poema: "Não sou (e isto é o bastante),/proprietário da casa-grande,/nem inquilino da senzala". O resto já se sabe.

Anônimo disse...

Cara Renata, acredito no seu interesse no referido curso de roteiro, porém as oportunidades para se conseguir uma das 20 vagas são bem diferentes. No seu caso vc deve acessar a internet todos os dias, no seu notebook, deve saber de todas as vagas, gratuitas ou não.. Enquanto que grande parte dos candidatos afrodecendentes não tem acesso ao jornal, ou computador... Pense melhor se não seria mais justo eles terem acesso a estas vagas. Para vc foi só mais um curso, de tantos que vc já fez no seu currículo, para eles pode ser a mudança de uma vida.
É só para refletir, não sou contra a sua matrícula no curso...

Renata Belmonte disse...

Caro Anônimo,
No meu caso específico, você tem razão. Mas já pensou que existem muitos brancos que também não têm acesso? Que são pobres e não recebem nenhum tipo de compaixão social? Se o objetivo do curso era propiciar conhecimento aos menos favorecidos, não seria mais justo selecionar utilizando como critério a renda e não a cor?
Bom, são apenas questionamentos. Essa é uma questão delicada e temos que ter um olhar cauteloso sobre ela.
No mais, agradeço o seu comentário e reflexões.
Abraços,
Renata

Críticas Criticáveis disse...

ninguém merece...vale lembrar o casa dos gêmeos onde um foi considerado negro e o outro não....critério falho e mto discriminador, ninguém merece

aeronauta disse...

Que época estamos vivendo. Primeiro porque a gente tem que se policiar o tempo todo com as palavras, segundo porque tudo o que a gente diz é considerado contrário a uma norma que foi ultimamente imposta. Lamentável.
O pior de tudo isso é o que acontece nas aulas de literatura: se um escritor do século XIX ou XX, ou XXI mesmo põe lá no enredo do conto alguma coisa circunstancial sobre o negro, todos já classificam o autor como racista... Consideram o conto um mero panfleto. E lincham o coitado do autor nos seminários. Ah, estou cansada. Abraços.

Si disse...

As cotas nas universidades funcionam com uma medida emergencial, já que a educação de base brasileira não vai melhorar tão cedo. E elas deveriam ser para os declarados pobres.
Mas para um curso desse? É um absurdo, Renata.

E aí, conseguiu? Ou você desistiu?

Beijos.