23 de mai de 2009

Suzanno


"Renata,

Ia fazer uma carta para você, só que tive dor de cabeça no meio! Logo lhe mando um beijo! Quero que sejam ótimos seus 14 anos! Que Deus dê muita paz e alegria para você!

Mil beijos,

Ricardo"



Eu descobri que o amava no dia deste meu aniversário de quatorze anos. Ele tinha apenas nove e achou que eu ia adorar um cartão com a foto de um morcego. Não teve dúvidas: imprmiu a imagem de tal animal e escreveu seus votos. Lembro-me que achei isso tão fofo quanto engraçado. Seu senso estético constratava de forma enorme com o meu. Natural: eu era adolescente e ele criança. Neste cartão, ele ainda dizia que me amava. E foi assim que descobri que eu também.

Ele sempre foi muito espirituoso e independente. Quando pequeno, fazia todo mundo morrer de vergonha. Aos quatro anos, disse para o meu "paquera" da escola que eu gostava dele. Quase tive um ataque do coração! Aos seis, repetia a mesma pergunta para uma amiga de minha mãe: por que a senhora é tão gorda? Nunca nenhum dos castigos resolveu seu problema de inconveniência. Recentemente, criticou horrores uma pessoa e acabou descobrindo que estava fazendo isso na frente de sua irmã. Já perdeu toda a vergonha na cara: deu risada e inventou uma desculpa estilo Augustinho da Grande família.

Ele gosta de ler Kafka e Mayrant Gallo. Não faz muito tempo, me disse que se eu tivesse escrito A metamorfose, ele acharia uma porcaria. Diz que me admira muito como artista, mas que não consegue ler o que escrevo, pois para ele serei eternamente sua "boneca amarela". Sempre teve um ciúme horroso de todos os meus namorados, recusava-se a falar com eles. Morria de medo que eu casasse, pois não sabia como seria morar na casa de nossos pais sem mim. Passávamos quase todas as madrugadas juntos, rindo de coisas malucas ou assistindo seriados americanos. Minha mãe se aborrecia, dizia que nosso hábito acabaria com nossa saúde. Desculpa: ela e meu pai sempre tiveram inveja de nossas noites insones, pois não participavam do nosso mundo secreto de histórias fantásticas e apelidos malucos.

No lançamento do meu livro O que não pode ser, muita gente não entendeu nada. Como assim Suzy se chama Renata? Pois é, Suzanno, no dia dos irmãos deste ano, eu não estava ao seu lado. Mas, pelo menos, estou hoje, no dia do seu aniversário. E apenas posso repetir o que você escreveu no seu convite de formatura para mim:

"A Renata, mas aqui estou quase agradecendo a mim mesmo – te amo muito. "

6 comentários:

Ricardo Belmonte (Suzanno) disse...

Te amo.

e ainda estou com dor de cabeça...

Viviane Costa disse...

Uma pessoa que liga para os outros pedindo felicitações no dia de seu próprio niver e quando enjoa da conversa passa o telefone pro resto da família, com certeza merece esse texto lindo de presente.

Quando a minha dor de cabeça passar, vou homenageá-lo no Embrulho tb. Rs...

aeronauta disse...

Pelo seu texto, percebemos que seu irmão é uma pessoa bem interessante: inteligente e espirituosa. Parabéns pra ele!

Maria Muadiê disse...

Renata, que coisa boa! Amor de irmãos. Maravilha.
um beijo

Lidi disse...

Linda homenagem, Renata. Lindo o amor de vocês. Parabéns, Ricardo!

Andréia M. G. disse...

Renata, fiquei emocionada com seu texto. Sou filha única e admiro bastante famílias que têm laços fraternos tão encantadores como o que você descreveu ter por seu irmão. Vocês dois são muito sortudos por se amarem tanto assim. Bj!