27 de jan de 2008

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?

Lisbon Revisited (l923)
Alvaro de Campos
(...)
"Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?"
Ah... Sou doida com todo o direito a sê-lo. Com todo direito a sê-lo, ouviram?
Post em homenagem a Personagem Principal, Aeronauta, O e Ricardo Belmonte. Que sempre me mostram que não há maior loucura que a extrema lucidez.

9 comentários:

Kátia Borges disse...

Oi, miss B, dá uma sacudida e joga pro espaço. Grata pela visita ao Madame.Bjs

Personagem Principal disse...

E agora eu digo o que? Pare com essa mania de me deixar espantada. Já era para eu estar acostumada com vc. :)

SANDRO ORNELLAS disse...

É o trecho clássico dos malucos que brigam com a lucidez, ou dos lúcidos que brigam com a maluquice. Mas é sobretudo o trecho dos que estão em paz com sua própria loucura e lucidez.

aeronauta disse...

Obrigada, Renata, pela bela homenagem: Álvaro de Campos grita na nossa alma. Bjos.

Isaque Viana disse...

Nossa, super bacana renata...
Ah, mande um beijo pra senhorita b, ok?

rs

"sou doida com todo o direito a sê-lo. Com todo direito a sê-lo, ouviram?"

SANDRO ORNELLAS disse...

Renata do céu... menina...[com cara de espanto e olhos revirados para cima...], estava achando seus posts meio estranhos (se bem que às vezes não estranho estranheza), mas hoje li vários dos comentários aos últimos posts (não costumo muito ler os comentários alheios, principalmente os longos). Que coisa! Mas relaxa. Você fez o correto. Bom carnaval!

Anônimo disse...

Entre doidos e lúcidos, quem se salva? O cacarejo é universal.

Críticas Criticáveis disse...

Os doidos são muito mais interessantes

Lidi disse...

Semestre passado, na UEFS, apresentei um seminário sobre Pessoa e li, justamente, este poema de Campos. Adorei. E falando em lucidez, tem uma frase no filme "Lugares Comuns", do diretor argentino Adolfo Aristarain, que adoro: "A lucidez é um dom e um castigo". Beijos.