31 de out de 2007

A vida dos outros



Eu freqüento aquele prédio há uns dez anos. E minha relação com o idoso porteiro daquele lugar nunca tinha passado de "bom-dias" semanais. Até a última semana:


- gfbkejrg tj- disse ele ansioso, afobado.


- Me desculpe, mas não compreendi uma palavra do que o senhor falou. - afirmei bastante confusa.

-Eu vi a senhora na televisão.- repetiu ele ainda ofegante. E no alto de sua timidez acrescentou:


- Sempre a incluo nas minhas orações. Deus te abençoe!


- Amém.- respondi sorrindo, agradecida.


Enquanto ia tomando o elevador, pensei: devem existir nesse mundo tantas pessoas que torcem por mim e que eu absolutamente desconheço!
Amém também para todos vocês: leitores queridos deste blog.

PS: A fotografia do post pertence ao belíssimo filme A vida dos outros que tem tudo a ver com o texto acima escrito.


7 comentários:

Personagem Principal disse...

Ainda bem e que assim seja até o fim. Minha mãe sempre diz que a gente tem que se preocupar com o que a gente faz aos outros. O que os outros fazem com a gente não é de nossa responsabilidade. Cada um que responda por seus atos.
Beijocas.

ediney santana disse...

Abençoado seja todo que no vai vem de coletivos, no ri vir de cemitérios, no nascer das maternidades, no passamento de gênios desconhecido, dizem para nós: Cuide-se, tudo de bom. Deus te abençoe

Luíza disse...

ah renata.. há mais amor no mundo do que imaginamos.. sabe aquelas pessoas que gostamos sem conhecer?
algumas delas gostam da gente também.. deve ter sido bacana ouvir isso..
Beijos

Ricardo disse...

são pessoas como essa, com ações sinceras, que nos fazem sorrir; um pequeno gesto cotidiano e bonito....

peço permissão: posso linkar seu blog?
obrigado a voce também pelas visitas.
bjos

fernanda disse...

Renatita,
Toda vez que vc coloca esses posts 'otimistas' eu me emociono.Esses dias tava ouvindo uma música de Pedro Mariano que falava assim: "Enxergar o que nos faz melhor é muito mais profundo." E realmente,cheguei a mesma conclusão. Não estou pregando uma cegueira coletiva não, mas como diria Clarice uma "doçura de burrice".
É muito fácil (e necessário) perceber que viver dói,que é angustiante e que, existem pessoas e atos, que fazem a gente querer durmir e não acordar mais. Mas por que relatar (porque perceber,a gente percebe) a generosidade,a gentileza e o carinho,alheios,é tão difícil?
Que apareçam milhões de "Seu José", "Seu João", "Seu Geraldo", todos porteiros de prédios, vendedores ambulantes,leitores e torcedores de você, na sua vida.
É "dessa gente comum" (que reza pra desconhecidos) que a vida é feita e que, por vezes,nos enche de orgulho.
Um beijo!

anjobaldio disse...

Talvez o mundo não seja tão estranho.

Álvaro disse...

É impressionante seu otimismo em relação à vida.
Você só tem a ganhar. E as pessoas percebem e se sentem otimistas também.