14 de jul de 2009

O Som e a fúria


Há uma passagem em Macbeth (a peça "amaldiçoada") que diz que a vida "é uma história cheia de som e fúria, contada por um idiota e que não significa nada."

William Faulkner extraiu de tal frase o título de um dos seus grandes romances: O Som e a Fúria. E, para minha alegria, Fernando Meirelles também não envergonhou Shakespeare. Sua série Som & Fúria é, simplesmente, ótima.

Mas o post não tem por objetivo falar do livro ou da série. Quero tratar da frase. Eu sempre tentei combater uma certa tendência ao niilismo que tenho. Inventei um propósito para minha vida e prefiro acreditar que ela possui algum valor. Justamente por isso, ontem, fiquei perplexa e muito furiosa. Ao saber que o pai de Michael Jackson declarou que pensa em formar o Jackson 3 com os três filhos do falecido cantor, constatei: a passagem de Macbeth nunca foi tão apropriada para uma situação. Conto com a fúria e o bom senso do resto da família para impedir tal "som" e para mudar esta história que insiste em ser narrada por este idiota.

14 comentários:

Nilson disse...

O velho Joe: disgusting!!!

Bárbara disse...

Nossa! Essa idéia é tão medonha quanto o pai de Michael. Tbm espero que outras pessoas fiquem enfurecidas.

P.S: Tbm Gosto de 'Som e Fúria'!
Bjs!

Chorik disse...

Como é lamentável ver a família se degladiando pela posse dos bens, tratando as crianças como moeda.

aeronauta disse...

Criatura totalmente abjeta.

Gerana Damulakis disse...

Faulkner chegava a dizer que não botava o pé na rua sem levar Shakespeare no bolso. O som e a fúria é uma homenagem explícita, tanto que todo mundo sabe disso. Aí está justamente o que eu dizia em relação ao debate da postagem anterior: a honestidade de um escritor em relação ao outro.
A própria Lygia Fagundes Telles, na reunião de contos A noite escura e mais eu, faz isso: uma homenagem, pois que o título é um verso de Cecília Meireles, cuja quadra que traz o verso está logo na entrada do livro, antes até do sumário. Muitos também fazem assim: é tributo, é homenagem, é notório.
Falando em Lygia, seguem duas sugestões: o conto O moço do saxofone e A estrutura da bolha de sabão. Creio que vc vai amar. Aliás, tenho certeza, porque uma ficcionista como vc saberá admirar a ficção do quilate de Lygia.

maria guimarães sampaio disse...

Você me deu a medida de minha raiva, ao ler o título da reportagem do pai dos 5 agora avô de três, pulei.

Lidi disse...

Renata, adorei a relação da passagem de Macbeth com a declaração do pai (se é que podemos chamar aquilo de pai) de Michael Jackson. Sem dúvidas, esse cara é um verdadeiro idiota.

Gerana Damulakis disse...

Renata: conheço Edna O'Brien, li Dezembros Selvagens em 2004, acho. Não li o mais recente romance dela no Brasil, A luz da noite. Aleilton e Rosana conheceram a escritora lá em Paraty, na semana da Flip.
Já Philip Roth, é minha paixão, devorei Indignação (o mais recente) em três horas. Li tudo dele que há no Brasil. Ele adora Edna e têm um livro juntos, já li sobre isso.

Edu O. disse...

Vixe! Nojo!

Andréia M. G. disse...

Renata, eu soube das pretensões desse sujeito há uns dias e não consegui sequer me indignar, pois dele nunca esperei nada de louvável. Ele é pior que um idiota, é uma personificação do mal.

F. disse...

Este cara é louco!!!

Rubervânio Rubinho Lima disse...

Olá,
Olha eu intrometido de novo.
Gostaria de saber se chegou a ler algun dos continhos sertanejos lá do blog...

Além dessa escrita, além desse estilo de escrito com base no falar e nas histórias do sertão, também produzo outras coisas, só que ainda estou escravo de alguns concursos literários e não poderei postar nada.

Me apresenta seus contos, linda

Bernardo Guimarães disse...

olhando a cara do sujeito se constata: canalha!

Kátia Borges disse...

Será um grande fracasso, mas o velho é meio doido mesmo. Só falta cantarem o repertório de Jacko e dançarem o "moonwalker"