31 de ago de 2008

Pequeno retrato de uma platéia azul



Fui com minha mãe e uma amiga para o lançamento de um livro e, enquanto estávamos na fila de autógrafos, fomos abordadas por um rapaz completamente bêbado, que se denominava escritor e que queria nos vender seu "livro"(uma xérox bonitinha) por cinco reais. Durante sua explanação sobre sua "obra", ele, bastante orgulhoso de seus feitos, afirmou que precisava do dinheiro de suas vendas para comprar drogas e bebidas, seus verdadeiros alimentos. Logo depois, numa tentativa desesperada de chamar atenção, passou a conversar em voz alta com os livros da livraria, cantou e dançou as "músicas que estavam no inferno que era sua cabeça." Na hora em que vi isso, eu não me contive e dei uma gargalhada. Minha mãe me olhou com um olhar severo e, após adquirir o livro do rapaz, condenou-me por minha atitude, disse que eu deveria ter pena de pessoas assim. Ainda tentou me obrigar a dar uma esmola para ele, mas, diante da minha evidente má vontade, desistiu. Não, eu não compro livros coagida, considero-os bens preciosos. Não, eu não tenho pena desse "escritor": ele apenas estava exercitando sua vaidade enquanto posava como mendigo. Não, eu não achei engraçada sua "performance": meu riso era nervoso, significava a constatação do que era pobreza de espírito. Depois de tomar todo o vinho possível do lugar, ele atendeu seu telefone celular (um aparelho bastante sofisticado, por sinal) e saiu sem comprar nenhum exemplar do livro que estava sendo lançado.
Sim, ele pensava que estava fazendo todos de palhaços. Mas era no seu rosto que estava o nariz vermelho.

8 comentários:

Bernardo Guimarães disse...

Também não tenho paciência para chatos. O chato ainda era, palhaço. Tô com vc.Se ele aparecer de novo, me chame que ajudo a dar vaia.

Personagem Principal disse...

Hahahahahahah, eu achei engraçado! Fiquei até curiosa pra ler a xerox do rapaz. Eu gosto dessa gente que está cagando para protocolos.
Beijocas.

Maurício de Almeida disse...

Oi, pode me passar seu e-mail?

Carlos Rafael Dias disse...

Ontem mesmo mandei um chato pras cucuias...

Luli Facciolla disse...

Foi-se o tempo em que só se encotrava palhaços em circos de lona... Aliás, acho que a lona ficou tão grande que saiu dos limites do circo! Agora, tem palahço por todo o lado...
Difícil é conseguir ficar de fora da "platéia azul"!

Beijos

On The Rocks disse...

oi,já passei por situação semelhante. eles pensam que estão enganando a gente. são verdadeiros imbecis. palhaços.
até mais.
bj

Anônimo disse...

Re-querida, tá tudo ótimo, fazia um tempo que não passeava no teu blog,
beijoca,
a

Flor do Mel disse...

Não sei se choro ou acho graça...
Cada uma que nos aparece... muito bom seu blog