24 de ago de 2008

Das coisas que nos distraem da morte


Todas as pessoas que me conhecem sabem que, apesar da minha alegria quase infantil, detesto ir para festas. Gosto muito de gente, só que não consigo suportar a melancolia que ronda tal tipo de evento, algo que mal consigo definir, mas que gruda na minha pele e borra meus olhos sem qualquer piedade. Só que, ontem, arrumando meu armário, descobri algo muito curioso: tenho pouquíssimas roupas para usar durante o dia, mas muitos vestidos de festa, alguns nunca usados.

Das coisas que me distraem da morte, sempre coloquei os livros e os filmes no pódio. Só que não posso deixar de mencionar a importância que as roupas possuem na minha vida. Mesmo tendo apenas a medalha de bronze, elas me permitem inventar minhas próprias farsas, livram-me da terrível condenação de ser a mesma o tempo todo. E, investigando o motivo de ter comprado vestidos que jamais serão usados, compreendi: dentro de mim, ainda vive a adolescente que fantasiava com bailes maravilhosos e que jamais se conformou com a mixaria que é a realidade. Ela, sem dúvidas, é a grande responsável por estas compras insensatas. Mas, não, não a culpo ou tento negá-la. Pois sei exatamente onde ela mora e o peso que é viver com tudo isso. Todas as noites ela está lá, enfiada num de seus vestidos, repetindo frases de seus filmes preferidos. Todas as noites ela está lá: bailando sozinha pelas páginas de um livro.

8 comentários:

aeronauta disse...

Que lindo texto, Renata!

Personagem Principal disse...

E pq te distraem, especificamente, da morte?

Personagem Principal disse...

É que eu nunca penso na morte, ou quase nunca. Heheheh. Bjs.

Mônica Menezes disse...

Tão bonito. Bjs

fernanda disse...

Amei o texto. Lindo,lindo....
Eu n sei como vc consegue explicar esse seu jeito pros outros Reni....eu tenho o mesmo e sei o qt é difícil...especialmente pq eu vivo rindo,pra minhas irmãs eu sou louca,pra minhas amigas, bipolar... pra minha mãe isso é falta do que reclamar da vida, frustração ou baixa-auto-estima. Queria q ela conhecesse minha escritora loira,linda, que tem menos ainda do q reclamar pra ver oq ela diria....

beijos!

Ps- lembrei agora da primeira página de Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazere.." Provo que a mais alta expressão da dor, consiste essencialmente na alegria."

Renata Belmonte disse...

Faça o favor de me ligar antes de viajar, Dona Fernanda!
Bjs

Palavras e co-lirius disse...

Ei srta.eu ultimamente não vinha pensando em morte, mas de uns dias pra cá isso me persegue...será um sinal? Cruzes!!! Bom texto esse seu... comos sempre, eles me fazem pensar, eis um bom objetivo.

Mariana disse...

Sensacional. Eu sempre penso na morte. Principalmente quando acordo no meio da noite. É bizarro imaginar que tudo que a gente conhece pode acabar assim, a qualquer momento.
Adorei seu texto.