20 de mar de 2008

Sobreviventes


O dia está quente, mas ele está lá. Sim, ele sempre está lá. Observo-o quase todos os dias, gosto de imaginar como é a sua vida. Penso que é feliz, apesar das dificuldades. Ele é o homem com mais dignidade que conheci.

Testemunho sua vida de longe e é possível que ele nem ao menos se lembre do meu rosto. Talvez de mim não lhe tenha sobrado nada, nem ao menos impressões. Mesmo assim conto a sua história. Porque, ontem, pela primeira vez, tive coragem de aceitar suas flores. No banco de couro do meu carro, tentam ainda sobreviver as rosas compradas por culpa e compaixão. Amanhã, como em todos os outros dias, ele estará tentando sobreviver à dura sina do asfalto, aos carros mal-educados e aos inúmeros sinais vermelhos que lhe são dados pela vida. Ele. O homem com mais dignidade que conheci. Ele, que nem imagina o que está escrito aqui. Ele: o vendedor de flores da esquina.

7 comentários:

Marcela disse...

Nossa, que conto fantástico. E surpreendente. Parabéns, Renata.

Anônimo disse...

poxa renata,lindo adorei a homenagem ao vendedor só vc mesmo viu.
Tenha uma pascoa feliz!
Que,além do ovinho,receba muito carinho!
greice,bjssss

Isaque Viana disse...

Renata, alguns textos seus me emocionam demais...
Este foi um deles.
Nem lembro como cheguei aqui no seu blog, mas adorei conhecer você e sua senhorita.
O q dizer?
Sempre muito bacana.
Sempre muito bonito.

beijo grande

Críticas Criticáveis disse...

É isso aí Um vendedor de flores Ensinar seus filhos a escolher seus amores Eu não sei parar de te olhar Eu não sei parar ...

Ricardo disse...

Sutil, bem-feito e com o toque mágico de Renata Belmonte.Parabéns!

Imcompreendida disse...

Lindo texto!!!

aluisio martins disse...

Um Chaplin ao contrário. Melhor, contrariando... "Atrapalhando o tráfego (...) o sábado...". Tudo perfeito dentro do caos de quem sente. Há máquinas, creia-me.

O coração dói a dor já antes sentida. Não tão intensamente de verdade ou verdadeiramente tão intensa. Aumentou o volume de sangue em minhas veias? Algo ainda lateja num pulsar violento indicando revolução...

Parabéns e grato por sua escrita-gente.

aluisio