10 de out. de 2008

Ema, ema...


Sabe aquela rima: ema, ema, não me conte seus problemas? Pois então: ela não se aplica para mim. Sim, porque eu adoro escutar os problemas dos outros. Sério! Sou assim, desde pequena.

Alguns de vocês, os que me conhecem pessoalmente, sabem que não sou exatamente uma pessoa silenciosa. Muito pelo contrário. Adoro falar, meu pai costuma dizer que, dois minutos comigo no elevador, são suficientes para que eu fique íntima das pessoas. E é verdade, isso faz parte do meu temperamento. Recentemente, fui a primeira pessoa a saber que uma conhecida iria pedir o divórcio. Antes mesmo do marido dela. Ela me encontrou na farmácia e relatou suas angústias durante horas. Pediu conselhos, chorou. Dois meses depois, quando minha mãe veio me contar a "bomba", eu já até achava que a tal conhecida tinha se casado novamente...

Tudo isso é muito curioso porque gente que mal me conhece se confessa para mim. Sim, é verdade: ao contrário da maioria das pessoas falantes que conheço, eu sou uma ótima ouvinte. E na minha vasta carreira de testemunha dos problemas alheios, já escutei histórias e confissões de corar as faces da Madonna.

Sou assim e gosto desta minha característica. E escrevi este post porque acabei me dando conta que o Vestígios deixou de ser um blog voltado para a literatura, tornou-se mais um espaço de amigos, onde escrevo e escuto o que vocês, queridos, têm para dizer. E sabem de uma coisa? Fico feliz com isso. Porque minha literatura também cumpre seu destino principal: vira logo livro.

8 de out. de 2008

O pior emprego do mundo


Eu já devo ter dito para vocês que odeio festas. E, quando falo em festas, refiro-me a um tipo de evento social que obriga as pessoas a parecerem chiques e super felizes o tempo todo. É óbvio que eu adoro ir para os casamentos e aniversários de amigos queridos, vou com prazer. O que eu acho insuportável é o ritual da melancolia: gente plástica dançando músicas sem graça, conversas tolas que não agregam nada, champagne Vive Clicot para alimentar maledicências e mentiras sobre tudo e todos e comentários indiscretos sobre a vida financeira alheia. Recentemente, ainda durante uma cerimônia religiosa, escutei um rapaz (primo da noiva!!!) dizer que "não sabia porque tinha ido para aquela festa, pois só havia mulher bizarra." Isto mesmo. Falta de respeito? Imagine!

Pois então: ontem, após escrever parte de um artigo sobre o Gender Gap(Índice de Desigualdade entre Gêneros), resolvi descansar e liguei a televisão. E, zapeando com o controle, me deparei com o mais assustador filme de terror: o programa do Amaury Júnior. Visualizem a cena: um monte de mulheres lotadas de jóias e super parecidas com a Cher (mas sem a graça dela) fingindo que não sabiam que estavam sendo filmadas. Todas rindo e dançando no ritmo do nada. Homens de idade com suas "esposas"(meninas loiras com no máximo 18 anos, sério!). Todos meio bêbados, oleosos, contando vantagens, deixando claro o poder do dinheiro. Olacyr de Moraes, acompanhado por duas garotinhas, mostrando que ter muita idade não é sinônimo de sabedoria. Não, não é preconceito. Sempre achei o Hugh Hefner um cara bacana, acho que ele gosta mesmo de suas três namoradas. Mas o Olacyr estava visivelmente determinado a aparecer, as meninas eram meio, não fim.

Como gosto de me magoar (isso é sadomasoquismo: incômodo misturado com prazer), continuei assistindo. E aí, apareceu o Carlos Alberto da Nóbrega (da Praça é Nossa!) e sua mulher. Amaury perguntou porque eles tinham se separado. Carlos Alberto, prontamente, repondeu: não aceito mulher que trabalha, tenho muito ciúme e ela inventou que queria trabalhar.
Depois disso, resolvi desligar a televisão. Pois tudo havia ficado muito claro: é por essas coisas que, ainda nos dias atuais, no Brasil, as mulheres apenas têm acesso a 66,37% de todos os recursos e oportunidades que estão disponíveis para os homens.
Sim, o Amaury merece todo o dinheiro que ganha. Porque ele, na minha opinião, tem o pior emprego do mundo.
(Achei uma outra entrevista do casal Nóbrega para o Amaury: http://br.youtube.com/watch?v=Uyt8Vfd-2fQ&feature=related. Não deixem de assistir!)

7 de out. de 2008

Semelhanças


Neste vasto mundo, somente eu acho a Sofia Coppola muito parecida com a Clarice?

4 de out. de 2008

Repensando conceitos 2



Sempre me pergunto: como ele conseguiu fazer o que fez em pleno século XX?

Repensando conceitos I

Comentário proferido por um famoso pensador na ocasião da guerra entre os EUA e o México pelo território da Califórnia:
"É uma infelicidade se a rica Califórnia foi arrancada dos mexicanos preguiçosos que não sabiam o que fazer dela? Se os enérgicos yankees, graças a exploração das minas de ouro daquela região, aumentam as vias de comunicação, concentram sobre a costa do Pacífico uma população densa e um comércio em expansão, abrem linhas marítimas, estabelecem uma via férrea de Nova York a São Francisco, abrem pela primeira vez o Pacífico à civilização e pela terceira vez na história dão uma nova orientação ao comércio mundial?“Será que é falta de sorte que a magnífica Califórnia tenha sido tomada dos preguiçosos mexicanos que não sabiam o que fazer com ela?”
De quem são essas frases? Palpites? Pois bem: elas são de Karl Marx.
Já tinha escutado isso na aula do mestrado. Mas encontrei outras fontes:

2 de out. de 2008

29 de set. de 2008

Quem conta um conto

O Presidente do PEN Clube do Brasil e
a Editora Tempo Brasileiro
contam com sua presença amiga
por ocasião do lançamento do livro


QUEM CONTA UM CONTO
Estudos Sobre Contistas Brasileiras Estreantes Nos Anos 90 E 2000


Coordenado por
HELENA PARENTE CUNHA


Participantes:
Aderaldo Luciano dos Santos
Alessandra Garrido Sotero da Silva
Ana Renata Baltazar
Anna Beatriz Paula
Christina Ramalho
Igor Fagundes
Laura da Silveira Paula
Marcos de Carvalho
Maria Aparecida Rodrigues Fontes
Nícea Helena Nogueira
Osmar Soares da Silva Filho
Vera Lúcia da Silva Sales Ferreira

Dia 01 de outubro de 2008,
às 18h no PEN Clube do Brasil,
Praia do Flamengo, 172, 11º andar,
Rio de Janeiro.

Eu sou uma das contistas estudadas:)
Quem escreveu o "Renata Belmonte: As Intermitências do Ser" foi o Osmar Sores da Silva Filho, doutorando da UFRJ. Fica aqui registrado o meu público agradecimento por seu tão belo trabalho.

7 de set. de 2008

Autoritarismo


Decreto férias urgentes para mim e para o Vestígios!

No mês de setembro, farei parte de um grupo de pesquisas e não terei como postar. Mas prometo voltar logo:)

6 de set. de 2008

Meu primeiro amor


Aos nove anos, me apaixonei. Perdidamente. E, com quase uma década de vida, compreendi porque todas as músicas românticas que escutava falavam de dor. Antes de tal fatídica experiência, eu sempre me perguntava: não é o amor um sentimento bom, que nos deixa felizes? Porque, afinal de contas, os apaixonados só vivem se lamentando e sussurrando coisas tristes?
Pois então: aos nove anos de idade, me apaixonei. E conheci toda a angústia que apenas tal sentimento pode causar. Muitas foram as noites que fiquei sem dormir. Como todos os primeiros e melhores amores, o meu era absolutamente impossível e muitos eram os obstáculos que existiam entre nós.
O primeiro e mais doloroso empecilho de todos usava um vestido azul: isso mesmo, o meu primeiro amor era visivelmente apaixonado por outra garota. Além disso, pertencíamos a mundos muito diferentes. E apenas tínhamos em comum o fato de que nos alimentávamos de sonhos e que detestávamos a realidade, este monstro com um relógio na barriga.
Isto mesmo: aos nove anos de idade, me apaixonei, completamente, pelo Peter Pan. E, alguns anos atrás, assistindo um filme sobre o autor de sua história, me reapaixonei pelo menino que nunca aceitou crescer. Também, nesta ocasião, mais uma constatação de nossa incompatibilidade: sempre detestei ser criança, até hoje, tento me livrar da minha infância.
Pois bem: superada tal paixão e, já adulta, compreendi que o amor se faz de metáforas e pequenas invenções cotidianas. Ou melhor: o amor é para aqueles que possuem imaginação e têm humor, a mais eficaz arma contra tragédias iminentes.
Mas Wendy? Sei... Boa de uma sonsa!

4 de set. de 2008

Os aiatolás culturais


Em 2003, após o lançamento de Femininamente, fui convidada para participar de um evento literário. Única mulher da mesa, aos vinte e um anos de idade, eu estava me sentindo super feliz por ter recebido tal convite. Mas, ao responder uma das perguntas da platéia, fui apresentada a um tipo de gente que não conhecia: os aiatolás culturais.
Os aiatolás culturais são pessoas que se acham acima de todos e que se sentem no direito de diminuir e distorcer qualquer opinião alheia. Não, ninguém pode discordar de nada do que diz um aiatolá cultural. Caso contrário, poderá incorrer em penas gravíssimas!
Os aiatolás culturais são facilmente reconhecíveis. Costumam, em qualquer de suas frases, citar Schopenhaur ou Baudelaire, falam muito, mas não dizem nada. O olhar do aiatolás culturais sobre os artistas mais jovens é sempre depreciativo, não, eles não conseguem admitir as novas gerações. E o mais curioso disso tudo é que os aiatolás culturais geralmente não são pessoas de alto quilate intelectual. Muitas vezes, são apenas seres que se autodenominaram grandes pensadores.
Não raro, encontro com alguns aiatolás culturais. E, quase sempre, é a mesma coisa: eles me aplicam provinhas. Com tom arrogante, indagam quais clássicos já li, qual o meu filme indiano favorito, dentre outras coisas. Quase sempre, quando isso acontece, fico prendendo o riso. Qual será a pena para quem não leu Joyce? E para quem não gosta de teatro? Cuidado, Bernardo e Aeronauta... É possível que, qualquer hora dessas, chegue um policial nas suas casas...
Esse fundamentalismo artístico é uma bobagem, ignora o quanto as pessoas são plurais. Adoro o Vestígios por isso: sempre aparece por aqui alguém bacana para dividir suas opiniões.
Sim, eu vou continuar adorando seriados americanos, Pop Art e rock. Não, eu não vou me fantasiar de descolada para que alguém acredite que sou uma escritora de valor. Sim, eu amo cinema e literatura. Qual é mesmo o problema de se gostar de muitas coisas?
Não, eu não sinto raiva ou qualquer sentimento negativo pelos aiatolás culturais. Na verdade, eu sei que eles são apenas crianças que não aprenderam como lidar com sua própria dor.

2 de set. de 2008

Don't call me daughter...


Ontem, estava vendo televisão e ouvi a seguinte frase: De seus pais até Jesus Cristo, todos já sonharam em ser ídolos do rock. Me acabei de rir. Sempre que estou arrumando minhas coisas, faço um dueto(na minha cabeça) de Daughter com Eddie Vedder. E sabe o que é melhor? Na minha fantasia, tenho uma voz super potente e a platéia vai ao delírio!
Pois então: confessem logo nos comentários com quem vocês dividem os vocais...

31 de ago. de 2008

Pequeno retrato de uma platéia azul



Fui com minha mãe e uma amiga para o lançamento de um livro e, enquanto estávamos na fila de autógrafos, fomos abordadas por um rapaz completamente bêbado, que se denominava escritor e que queria nos vender seu "livro"(uma xérox bonitinha) por cinco reais. Durante sua explanação sobre sua "obra", ele, bastante orgulhoso de seus feitos, afirmou que precisava do dinheiro de suas vendas para comprar drogas e bebidas, seus verdadeiros alimentos. Logo depois, numa tentativa desesperada de chamar atenção, passou a conversar em voz alta com os livros da livraria, cantou e dançou as "músicas que estavam no inferno que era sua cabeça." Na hora em que vi isso, eu não me contive e dei uma gargalhada. Minha mãe me olhou com um olhar severo e, após adquirir o livro do rapaz, condenou-me por minha atitude, disse que eu deveria ter pena de pessoas assim. Ainda tentou me obrigar a dar uma esmola para ele, mas, diante da minha evidente má vontade, desistiu. Não, eu não compro livros coagida, considero-os bens preciosos. Não, eu não tenho pena desse "escritor": ele apenas estava exercitando sua vaidade enquanto posava como mendigo. Não, eu não achei engraçada sua "performance": meu riso era nervoso, significava a constatação do que era pobreza de espírito. Depois de tomar todo o vinho possível do lugar, ele atendeu seu telefone celular (um aparelho bastante sofisticado, por sinal) e saiu sem comprar nenhum exemplar do livro que estava sendo lançado.
Sim, ele pensava que estava fazendo todos de palhaços. Mas era no seu rosto que estava o nariz vermelho.

29 de ago. de 2008

Só minhas músicas favoritas...

1- La mer (Charles Trenet)
2- November Rains (Guns and Roses)
3- Dream On (Aerosmith)
4- Jeremy(Pearl Jam)
5- Stairway to Heaven (Led Zeplin)
6- Hey Jude (Beatles)
7- Better man (Pearl Jam)
8- Águas de Março (Tom Jobim)
9- Panis Et Circenses (Mutantes)
10- If I ever lose my faith in you (Sting)
11- Alone in Kyoto (Air)
12- Alegria, Alegria (Caetano Veloso)
13- Sonata ao luar (Beethoven)

Me retiram destes dias cinzas.

28 de ago. de 2008

Quem disse?


Quando eu era criança, cantavam para mim:

Terezinha de Jesus deu uma queda
Foi ao chão
Acudiram três cavalheiros
Todos de chapéu na mão
O primeiro foi seu pai
O segundo seu irmão
O terceiro foi aquele
Que a Tereza deu a mão...


Quem inventou que isso é uma canção infantil? Essa é a música mais triste e assustadora que já ouvi na vida! Até hoje, fico em pânico quando escuto...