16 de mai. de 2008

Alone



Há dias que penso em fugir para o Japão.

12 de mai. de 2008

Ponto smoking


Eu ainda era pequena, mas lembro-me bem: seus vestidos, quase sempre comuns, ganhavam força e beleza quando colocados em seu corpo. Como mágica, tornavam-se outros, despertavam de um sono profundo para cumprir seu destino. Existem pessoas que são assim: elegantes sem qualquer esforço. Eu, exagerada nos gestos e emoções, jamais tive tal qualidade. Restou para mim o consolo destes olhos verdes de segunda mão. Ela não fala muito, mas sempre tem as unhas feitas. Mesmo desarrumada, permanece esteticamente interessante. Tem humor nas horas apropriadas, é firme e amorosa no momento em que deve ser. Não costuma gritar, prescinde deste tipo de comportamento mundano. Temo ver qualquer reprovação no seu olhar. Daquele tempo, das intermináveis provas de roupas na casa das cinco mulheres, pouco mudou. Todas continuam legando às filhas o encanto com os tecidos, a atmosfera fantástica das roupas de baile no espelho do quarto de casal. Ainda gosto pouco das coisas que tenho, não raro, busco no seu armário algum remédio para minha insatisfação. Mônica Menezes me alertou: a escrita também é um cuidar de si. Enquanto faço textos, minha mãe experimenta roupas no quarto ao lado. Muitas vezes, quando penso que ninguém me amará tanto quanto ela, me desespero. E sinto vontade de ter uma filha. Para eu não ficar só no mundo. Para me trazer poesia. Para eu alinhavar seu crescimento através de vestidos de ponto smoking.

9 de mai. de 2008

Do nome perdido de cada um


Há quem afirme que a Senhorita B. fugiu por temer deixar de ser quem é. E que jamais aceitou se tornar Senhora, pois sempre teve certeza que o nome é a única constante dessa vida feita de desencontros. Já ouvi também dizer que a Senhorita B. desapareceu no dia do seu casamento e que um par do seu sapato foi encontrado na escadaria de uma igreja antiga. Confesso não acreditar muito nessa versão, ela nos abandonou usando um vestido preto e sei que nunca se casaria com tal modelito. De todas as especulações existentes, penso que apenas uma é correta. Não, não fugiu a Senhorita B. para lugar algum. Porque seu problema não era com o espaço e sim com o tempo. De quases vive a ficção. No futuro do pretérito, vagaria com os anjos pelas páginas de um livro.

7 de mai. de 2008

Esta minha horinha de descuido


"... dizia que o certo era a gente estar sempre brabo de alegre, alegre por dentro, mesmo com tudo de ruim que acontecesse, alegre nas profundezas. Podia? Alegre era a gente viver devagarinho, miudinho, não se importando demais com coisa nenhuma. Felicidade se acha é só em horinhas de descuido".

Guimarães Rosa

Gravura: La Lecture Hand de Renoir, o motivo da minha horinha de descuido. Encontrei essa reprodução no Google e, de repente, estava novamente no meu quarto de criança. Quando pequena, achava que eu era a garota loura do quadro e que ele tinha sido pintado especialmente para mim. Hoje, percebi que, daquele tempo, apenas me sobrou uma certeza: desde cedo, a literatura já estava presente na minha vida.

4 de mai. de 2008

Dica

Lucas Faillace é um garoto de vinte poucos anos e um dos fotógrafos mais brilhantes que conheci. As fotografias que vocês vêem nos slides (salvo a primeira) são do curta Vestígios da Senhorita B. e foram todas feitas por ele. Quem quiser conhecer seu trabalho deve acessar o site http://www.lucasfaillace.com/ ou o blog http://lucasfaillace.blogspot.com/.

3 de mai. de 2008

Sobre ostras e coelhos...


"Eu não acredito em felicidade. Apenas os imbecis, as ostras e os coelhos podem ser felizes. E ainda assim se não tiver um cozinheiro por perto..."

Fala do Luc Ferry no evento Braskem Fronteiras do Pensamento.

1 de mai. de 2008

Só se vê na Bahia?

Semana passada, li no jornal A Tarde a notícia de que no Vila Velha iria se realizar um curso gratuito para roteristas. Estavam sendo oferecidas 20 (vinte) vagas e era necessário levar uma fotografia 3x4 e o RG. Pois bem, no primeiro dia das inscrições, fui lá para realizar a minha. E, logo depois que preenchi a ficha, a simpática atendente me advertiu: é pouco provável que você seja selecionada. Eu, meio confusa, perguntei o motivo de sua afirmação. Eis que ela me respondeu: será dada preferência aos afrodescentes e aos alunos oriundos de escolas públicas. Eu não concordo muito com isso, mas você apenas será selecionada se não se inscreverem vinte pessoas com tais características.
Cotas para as universidades eu posso até compreender, apesar de não concordar com o percentual aqui adotado. Mas preferência para afrodescentes num curso de roteiro? Sim, só se vê na Bahia.

27 de abr. de 2008

Algo para não esquecer...


É preciso aprender a esquecer. Para que se possa ir em frente, quando se constata que a vida dos sonhos não pode ser. Para que a mochila pesada que carregamos nas costas tenha valia, para que suas alças não marquem nossa pele como uma cruz, para que espinhos não mahuquem nossos pés enquanto buscamos nosso caminho. É preciso aprender a esquecer. É isso que pensa, durante sua fuga, a Senhorita B.

23 de abr. de 2008

No dia dos direitos autorais: considerações sobre Paris Hilton e Darfur


No mês passado, entreguei meu trabalho de conclusão da especialização. Escrevi sobre o direito à intimidade nos tempos modernos. E, em vários momentos, me deparei com a necessidade de discutir o choque deste com outros direitos fundamentais.
Parecia que eu estava adivinhando o que iria acontecer... Dias depois, o caso Isabella Nardoni explodiu e tornou meu tema super atual. Na ocasião da elaboração da minha monografia, me fiz várias perguntas que, agora, voltaram com força total. Quais são os limites da liberdade de expressão? Pode a mídia divulgar de forma tão ostensiva a suposta intimidade do casal Nardoni? Caso o casal seja levado a julgamento, já não estariam os componentes do Tribunal do Juri relativamente influenciados pela comoção pública?
Sim, não é fácil responder tais questionamentos. Trabalhar com colisão de direitos é sempre extremamente complicado.
Pois bem, hoje, no dia dos direitos autorais, li a notícia sobre a polêmica causada pela figura acima. E, mais uma vez, me perguntei: pode o direito de expressão prevalecer sobre os direitos autorais? Duvidas não restam da representação pejorativa de uma bolsa Louis Vitton no desenho.
Defendendo seu trabalho, a criadora da gravura afirmou; "Minha ilustração SIMPLE LIVING é uma idéia inspirada pela cobertura da mídia a coisas completamente sem sentido. Meu pensamento foi: uma vez que não fazer nada, mas usar bolsas de designers e cachorros pequenos e feios aparentemente é suficiente para te colocar numa capa de revista, talvez valha a pena para as pessoas que realmente merecem e precisam de atenção. Quando as mesmas imagens nos são apresentadas continuamente, nós começamos a acreditar que elas são importantes. Quando estava lendo o livro "NOT ON OUR WATCH", do Don Cheadle e do John Prendergast esse verão, fiquei horrorizada pelo fato de que mesmo com o genocídio e outras atrocidades em Darfur, Paris Hilton era quem estava atraindo toda a atenção. Será possível que o mundo do entretenimento dominou o nosso bom senso? Se você não pode ganhar deles, junte-se a eles. Por isso escolhi misturar a realidade cruel com elementos do showbiz no meu desenho. Quando você vê maneiras de ajudar Darfur no website: www.savedarfur.org, entre outras coisas, ele diz: Levante a conscientização. Levante fundos. Então é isso que estou tentando fazer. 100% dos lucros com a camiseta e o poster do SIMPLE LIVING são doados para a Divest for Darfur."
É óbvio que a marca Louis Vitton não gostou e já está reclamando seus direitos autorais...
Bom, gosto dos argumentos da artista, vivemos um momento de intensa inversão de valores. Diariamente, vejo pessoas, que nada oferecem à sociedade, se tornarem ícones e passarem a ser idolatradas pelos meios de comunicação. (vide http://ego.globo.com/Gente/Fotos/0,,GF57246-9801,00-GALERIA+DE+FOTOS+NATALIA+CASASSOLA+GANHA+FESTA+DOS+FAS.html#fotogaleria=8 ).
No entanto, dúvidas ficam no ar: não poderia a artista ter representado a bolsa sem uma caracterização tão explícita? Não teria a campanha basicamente o mesmo apelo se tivesse apenas uma leve referência ao culto às bolsas de marca?
Sou contra a idéia de policiamento do outro. Acho que todos devem ter a plena liberdade individual assegurada. E isto se reflete na opção de escolha de seus próprios bens de consumo. Nem todo mundo que usa roupas de marca é alienado ou ignora a realidade. Alguns têm condições para investir em responsabilidade social e para bancar seus desejos. Quem somos nós para determinar aquilo que as outras pessoas devem ou não fazer? Conheço artistas que dizem que "não ligam para dinheiro", mas que, apesar do aspecto "descolado", não perdem a oportunidade de tirar vantagem dos colegas.
Acho que, no mundo, existe todo o tipo de gente e classificações quase nunca se mostram fiéis à realidade.
Bom, escrevi demais. Agora quero saber (se é que alguém leu até o final) o que vocês pensam sobre o assunto.

21 de abr. de 2008

Um sonho?


Na última noite, tive um sonho: encontrava-me, de repente, na escada de algum lugar, com aquela que penso ser a Senhorita B. Ela nada falava, ficava todo o tempo me observando em silêncio. Mas quando acordei, não tive dúvidas sobre o que queria dizer. Não, eu não posso abandonar a sua história. Ela deve ser escrita. Até o fim. Para que eu possa em paz envelhecer.

17 de abr. de 2008

Sing for the laughter and sing for the tears...





Dream on, dream on
Dream yourself a dream come true
Dream on, dream on
Dream until your dream come true
Dream on, dream on, dream on...

13 de abr. de 2008

Perto do fim:



Há uma solidão que não cabe em mim.

8 de abr. de 2008

Da desilusão.


Aos que morreram para mim, abandono estas últimas flores.

6 de abr. de 2008

Opções para o B.


Lista meramente exemplificativa:

Benário.

Baker.

Belle.

Blair.

Buarque.

Bezerra.

Buffone.

Beckham.

Bosworth.

Blogspot.

Beck.

Braga.

Bandeira.

Barros.

Bruni.

Bisset.

Boneca.

Barretto.

Belmonte.

Brasil.

Brecht.

Bispo.

Bulamarqui.

Bergamaschi.

Beltoise.

Bittencourt.

Beauvoir.

Borges.

Balenciaga.

Bradshaw.

Blahnik.

Bruni.

Bergman.

Bocage.

Bruce

Beneton

Bali

Bilbao

BMW

Bruma

Brisa

Brahma

Bukowski

Brio

Bronze

Broto

Brutus

Bonita

Outras possibilidades são bem-vindas. Podem enviar que eu acrescento.
(Na fotografia, uma linda e elegante Senhorita B: Carla Bruni.)