18 de nov. de 2007

Ameaça

Se nada de relevante começar a acontecer, juro que faço como a Senhorita B: coloco uma mochila nas costas, arrumo a mala e fujo. É certo que, em algum lugar, o trem da minha vida irá passar.

11 de nov. de 2007

Raras felicidades dominicais

Viver tem sido uma grande aventura... Não é que acabei de encontrar na porta de uma pizzaria o garotinho do post Uma criança e eu? Após reconhecê-lo, lhe disse: escrevi sobre você no meu blog. No ato, ele me respondeu: e eu, como você, também comecei a fazer um livro.

As mulheres da minha vida









Quando criança, me perguntavam com insistência o que eu queria ser quando crescer. Hoje em dia, a pergunta mudou de palavras: O que você pretende fazer da sua vida? Bom, eu não tenho ainda uma resposta precisa para tal questionamento. Como explicar que possuo muitos sonhos e que são múltiplos e variados os planos que traço diariamente para mim?

Muitas são as nossas possibilidades de existência: acredito piamente nisso, desde a adolescência, quando mudava semanalmente a cor dos meus cabelos. Deste tempo, pouca coisa restou: foi embora meu macacão preto folgado, os cabelos cresceram, algumas posturas diante do humano se modificaram... Mas uma coisa permanece intacta e se reflete em quase tudo que escrevo: ainda nutro enorme admiração pelo sexo feminino.

Costumam dizer que mulheres não conseguem se relacionar bem entre si, que nossas relações são baseadas em inveja... Pura besteira. Se algum dia me perguntarem quem eu quero ser quando crescer, não terei dúvidas: citarei um por um os nomes das mulheres da minha vida.

Nas fotos: Eva, Renata e Jorge (que apesar de não ser mulher, merece estar neste post); Madonna; Erica e Joana; Clarice Lispector. Faltaram fotografias de: minha mãe, minha avô, minhas tias e primas, Lígia e Vanessa, dentre outras.

7 de nov. de 2007

Das cenas insólitas da minha vida: parte 01

Na noite de ontem, fui à uma festa na galeria Paulo Darzé. E, quando estava deixando o local, fui abordada bruscamente por um mendigo esquálido, com cara de drogado. Senti um frio tomar conta de mim, já era madrugada, a rua estava bem escura... Pensei: Ops! Desta vez, me dei mal. Mas, de repente, uma voz rompeu o silêncio torturante:
- Noooossaaaaaaa! Que vestido lindo! Fashion! É por isso que gosto de pedir dinheiro aqui na Vitória: só vejo gente chiqueeee!
- Sai daqui, sua bicha, pare de incomodar as pessoas!- falou o segurança do lugar que acabou aparecendo para me "socorrer".
Minutos depois, passado o susto inicial, eu só fazia rir. E na hora de dormir, acabei constatando: eu quase agi como Tatiana, a personagem "ordinária" do meu conto Sandálias vermelhas. Paguei bonitinho a língua. Depois ainda me perguntam porque me tornei escritora...

4 de nov. de 2007

Crime e castigo

Na faculdade de direito, um professor constantemente me dizia que eu seria uma grande promotora, pois eu tinha enorme talento para o crime. Nunca dei ouvidos às suas pregações, pois jamais me senti tentada a trabalhar com gente inescrupulosa. Mas, hoje, reconheço sem modéstia que ele tinha, de certa forma, alguma razão.
Quando comecei a estagiar naquele escritório, eu era uma garota cheia de sonhos. Pensava ainda que todas as pessoas mereciam uma segunda chance, acreditava que aqueles que cometiam delitos tinham seus motivos. Isso até começar a conviver com minha chefe.
Com o argumento de me "educar" para o mundo, ela me fazia passar por humilhações das mais diversas. Certa vez, me prendeu gratuitamente no escritório até tarde só para eu perder uma prova importante. Houve um dia, em que ela liberou todas as outras estagiárias para poderem ir ao salão de beleza(era o casamento de uma das sócias daquele lugar), menos eu. Sua desculpa? Você tem o cabelo liso, não precisa se arrumar.
Eu jamais lhe disse nada, nunca reclamei de sua postura. Minhas amigas e meu namorado ficavam horrorizados, me perguntavam como eu suportava passar por tudo isso. Eu sempre lhes respondi : eu só faço o que quero, não sou vítima de nada, portanto não se preocupem comigo.
Não, não se preocupem comigo. Deixei aquele lugar para ir estagiar em outro muito melhor. E daquela minha chefe, restou uma lembrança: ela bêbada na tal festa de casamento, dançando sozinha num canto, usando um vestido horroroso...
Recentemente, soube que ela adora falar sobre a minha passagem no escritório, que costuma pregar, no quadro de avisos, algumas das minhas fotos que saíram no jornal. Foi aí que compreendi o que meu professor da faculdade queria dizer: eu sou dura na queda, a pessoa perfeita para fazer os outros pagarem no final por seus crimes. E, para esta minha chefe, tenho certeza: meu silêncio sempre foi a maior das suas penas. Conviver com fato de que jamais conseguiu prejudicar minha vida é o preço que ela terá eternamente que pagar.

3 de nov. de 2007

Síndrome Carrie Bradshaw



Recentemente, no lançamento de um livro, encontrei com a Anna e com a Mônica Menezes. Conversamos bastante, foi muito bacana. Nosso assunto principal? Não, nada de Clarice ou Hilda. Falamos sobre calçados. Isso mesmo: sandálias e sapatos.
É certo que nós, mulheres, amamos tal tema. A queridíssima Mônica me disse que uma das primeiras coisas que ela olha numa outra mulher é o sapato que esta está usando. Achei isso bem curioso, pois percebi que também ajo assim. E acabei me lembrando de meu irmão, que nada entende de moda, mas que sempre me diz que eu deveria usar mais sandálias rasteiras (e condena com vigor qualquer espécie de bota).
Ora, mas não é que descobri, nesta semana, que um dos meus artistas favoritos também tem um fetish por sapatos? Não, Carrie, desta vez não me refiro à você. Falo do David Lynch. Que fotografou os sapatos do Louboutin e está expondo o resultado disso tudo na
Galerie du Passage, em Paris. Eu vi algumas das fotos e achei incríveis. Bem a estética do mestre!
No mais, desejo para vocês um sábado bem no clima deste post: repleto de glamour!


PS: As fotos acima são de autoria do Sr. Lynch.

31 de out. de 2007

A vida dos outros



Eu freqüento aquele prédio há uns dez anos. E minha relação com o idoso porteiro daquele lugar nunca tinha passado de "bom-dias" semanais. Até a última semana:


- gfbkejrg tj- disse ele ansioso, afobado.


- Me desculpe, mas não compreendi uma palavra do que o senhor falou. - afirmei bastante confusa.

-Eu vi a senhora na televisão.- repetiu ele ainda ofegante. E no alto de sua timidez acrescentou:


- Sempre a incluo nas minhas orações. Deus te abençoe!


- Amém.- respondi sorrindo, agradecida.


Enquanto ia tomando o elevador, pensei: devem existir nesse mundo tantas pessoas que torcem por mim e que eu absolutamente desconheço!
Amém também para todos vocês: leitores queridos deste blog.

PS: A fotografia do post pertence ao belíssimo filme A vida dos outros que tem tudo a ver com o texto acima escrito.


27 de out. de 2007

Esmeralda

Aos dois dias de nascida, me despejaram em seus braços. E de lá jamais saí: fui adotada para sempre por ela, ela, que durante toda a sua vida repetiu que jamais teve vontade de ter filhos.
Quando Ricardo nasceu, a tiraram do meu quarto e eu, aos quatro anos, tive a minha primeira perda. Aquele ser estranho que me obrigavam a chamar de irmão se tornou um dos maiores amores de sua vida, há algo frágil nele que a encanta terrivelmente. É certo que na sua concepção, eu, a menina que sempre foi linda, precisa menos dela do que o garoto mirrado cheio de hábitos excêntricos. Tem sido assim, desde sempre: de equívocos se preenche a história da minha vida.
Se algum dia me for possível, farei o mesmo que o João Moreira Salles: dirigirei um documentário sobre a vida da minha eterna babá. Ele se chamará Esmeralda, seu verdadeiro nome. Nome este que ela guarda como um segredo e esconde através do apelido Meire. É dura demais consigo mesma para reconhecer todo o seu valor.
Por fim, hoje, no dia de seu aniversário, mesmo sabendo que ela não lerá este texto, repito a dedicatória de Femininamente: Para minhas duas mães. Sim, o amor que sinto por ela é muito maior do que qualquer eventual dor.

23 de out. de 2007

Uma criança e eu


Ontem, fui ao médico. E na sala de espera, fiquei conversando com um garoto de onze anos que aguardava a mãe sair do consultório. Era fim de tarde e estávamos completamente sós. Com cuidado, ele me perguntou o motivo de eu estar ali. Minutos depois, lhe dirigi o mesmo questionamento. Isso foi o pontapé inicial do nosso diálogo, que envolveu confissões pessoais de ambas as partes. Ele me falou da mãe neurótica e exagerada que o ama muito, do pai que jamais se importou com ele e lhe negou uma mochila da Datelli, da paixão que sente por uma garota da 7 ª série, da dificuldade que tem de ser amigo do irmão adolescente, do medo que sente de não conseguir ganhar dinheiro quando crescer, do seu sonho de conhecer o Maurício de Souza(quer ser desenhista e é muito fã da Turma da Mônica). Eu lhe falei que nunca me senti criança, mas que tenho um medo enorme de crescer. Pouco antes de ir embora, fizemos juntos um desenho. Eu lhe entreguei o meu habitual Mickey Mouse, a única coisa que me restou dos tempos do lápis de cor. Ele me mostrou seus rabiscos: tinha feito o rosto de uma garota. Pensei que era eu ou sua mãe, mas não quis perguntar. No final de tudo, trocamos e-mails. Ele vai me mandar um site de "pets" e entrar na comunidade que fizeram para mim no Orkut. Eu lhe fiz uma promessa: vale ainda a pena sermos boas pessoas. Espero que os próximos anos de sua vida não me desmintam.

18 de out. de 2007

Das coisas que vejo na TV

Hoje, vi na televisão uma mulher falando que está na melhor fase de sua vida, que se sente ótima, verdadeiramente realizada. Fiquei desconfiada. Sim, talvez eu também seja feliz. Pena que sei muito pouco sobre isso.

16 de out. de 2007

Uma nova vida para Renata B.

Nos últimos tempos, venho me sentindo levemente entorpecida, com a sensação de que tudo que vivo é sonho, um destes sonhos que não fazem sentido, mas que aceitamos durante o sono como algo bastante lógico e coerente. Talvez eu esteja assistindo filmes demais, essa é a primeira das hipóteses.
É certo que tudo tem seu fim e a noite de hoje não foi diferente. Neste último lançamento do Outras moradas, tirei fotos sorrindo, encontrei pessoas amigas, conheci pessoalmente outras pessoas amigas, me tornei amiga de pessoas que apenas conhecia. Tudo ao som de jazz, que preferi inventar ser bossa-nova: assim pude acreditar que a sensação vagamente familiar que me tomava nada mais era do que a identificação do momento com os eventos que acontecem nas novelas de Manoel Carlos. Talvez eu esteja assistindo novelas demais, eu sei. Essa também é uma das minhas hipóteses.
Que vivemos eternamente de fantasias, sempre tive certeza e jamais neguei as minhas. Mas eis que conto a cena mais surreal deste meu último sonho: onze escritores sentados ao mesmo tempo numa pizzaria. Duas mesas, papo agradável, clima descontraído. Eu, no meio deles, eu, que sempre evito conviver com grupos por medo de abusos coletivos de compreensão. É madrugada, sim, sei. Mas estou acordada e o que narro não surgiu durante o sono. É a minha realidade, esta que vem me causando muito mais estranheza do que os filmes do David Lynch.
As pessoas que foram ao lançamento do Outras moradas não desconfiam que eu morro de medo de autografar os meus livros. Sempre acho que escreverei alguma coisa errada, que direi algo tolo, sem sentido. As pessoas que foram ao lançamento do Outras moradas nem desconfiam que temo não corresponder o tamanho de sua consideração. Sou bastante esquecida e sofro muito quando sou desatenciosa com aqueles que são bons comigo. As pessoas que foram ao lançamento do Outras moradas e me viriam com aquele vestido dourado, desconhecem a angústia que sinto durante as minhas festas: tento sempre prolongar os momentos que vivo, não gosto de aceitar o fim das coisas.
Algumas pessoas que conheço e dizem que gostam muito de mim não tem comigo a menor consideração. Outras, que mal convivo, nutrem por mim afeição. Meu irmão, outra dia, brigou comigo e disse: pobre de você que vive de migalhas de felicidade. É, talvez ele tenha razão. Porque permaneço aqui, nesta noite, com fome. Mas sempre embriagada de vida.

9 de out. de 2007

Lista de convidados:


  1. Todos os leitores deste blog!


    Esse 2º lançamento é para vocês: meus leitores queridos. Nós, autores do Outras moradas, apenas tivemos 40(quarenta) convites individuais para o lançamento de amanhã, no Solar Cunha Guedes. Só minha família são 50 pessoas... Portanto, resolvemos fazer esse segundo evento. Será muito legal! Espero vocês!

7 de out. de 2007

Tratado sobre o óbvio


Algumas considerações:


  1. Nem todas as pessoas ricas são metidas e desonestas.

  2. Nem todas as pessoas pobres são simples e honestas.

  3. Nem todas as pessoas pobres são dignas de pena, algumas vivem com muito mais dignidade do que outras que ganham milhões.

  4. Nem todas as pessoas ricas são dignas de desprezo, algumas são ótimas pessoas e investem seu dinheiro de forma muito bacana.

  5. Nem todas as mulheres bonitas são insuportáveis e vazias.

  6. Nem todas as mulheres bonitas são burras.

  7. Usar roupas folgadas e óculos colorido não transforma ninguém em intelectual.

  8. Usar terninho e pasta de couro não transforma ninguém em um profissional mais competente.

  9. Nem todas as pessoas gordas são infelizes.

  10. Nem todas as pessoas gordas são engraçadas.

  11. Nem todas as pessoas magras sofrem de anorexia.

  12. Nem todo artista é lunático.
  13. Nem todo americano é burro e alienado.

Queridos: já está na hora de combatermos essa lógica de vida Malhação!

3 de out. de 2007

Do absurdo da condição humana




Já pararam para pensar: por que a maioria das pessoas morre de rir ao ver outra tropeçar?